sábado, 11 de fevereiro de 2012

Religião ocidental cristã e os povos indígenas: uma questão a ser debatida

Por: Alfredo Silva Wapixana.

“Há mais mistérios entre o céu e a terra do que supõe a nossa vã filosofia” (William Shakespeare)

O título, sem dúvida, nos leva a um tema um tanto emblemático, em razão de tudo que trás imbricado, valores, simbolismos, crenças, visão de mundo, visão de sociedade, comportamentos , atitudes individuais e coletivos, enfim, a relação com o sagrado.Por tudo isso, difícil é, evitar ,muitas vezes, posicionamentos extremados e também, não menos raro, preconceituosos. É quando a manipulação das “verdades e razões” se trombam em disputas ideológicas, sustentadas por doutrinas igualmente diversas. E, quando o tema ganha uma transversalidade para o mundo indígena,aí então é que surgem as arestas entre os que defendem e condenam a presença e o trabalho de missionários em meio indígena.

Dentre os que tomam partidos, e se digladiam, uma coisa, porém, chama atenção: os “outros’, os “de fora” são geralmente os que se manifestam. E os índios? O que dizem à respeito? Como enxergam tudo isso? Será que estão de acordo com tudo isso que as pessoas falam? Qual é as suas percepções sobre isso? Vez por outra, e muito raramente, aparece um voz nativa falando, e quase sempre, referendando a posição dos que demonizam a presença missionária entre os povos indígenas. Pode ser uma estratégia cômoda essa , a de não destoar da posição da maioria.

Eu, como tantos outros índios, não fujo de algumas características fortes e muito peculiar nossa, que é ouvir, ouvir e falar pouco. Já ouvi demais essa discussão. E, decidi ,agora, falar um pouco sobre isso também. Pode ser que o que direi, venha servir de reflexão entre os próprios missionários que atuam ou para àqueles que pretendem chegar até as aldeias.

As violências praticadas contra os povos.

Construir um debate e uma proposta missionária junto aos povos indígenas , requer, obrigatoriamente ( e por parte das igrejas) , uma profunda reflexão sobre os graves equívocos e violências que se cometeram contra nós, nos séculos passados, e que ainda hoje, embora já se tenha passado mais de quinhentos anos, balizam a relação de muitas denominações religiosas junto aos povos e comunidades indígenas.Como tais violências se reproduzem nos dias atuais? Quando, à exemplo dos europeus, em 1500, as pessoas chegam em nossas aldeias –e em sua grande maioria, sem serem convidadas -, põe os pés no chão, e com aquele olhar de superioridade e sapiência, correm a vista ao seu redor e, em percebendo que aquele grupo social NÃO vive e se organiza como ELE/ELA , logo conclui: esse povo precisa urgentemente de salvação. E, assim, com base na sua “ esplendida descoberta”, e movidos por uma “compaixão extrema e zelosa”, INVADE a nossa casa , prega, questiona, condena práticas, rebaixa valores, tudo em nome da “civilização e da salvação”. Esse é um dos exemplos que damos para explicitar como (ainda) hoje somos desrespeitados por tantos neo-missionários ou pseudomissionários, no Brasil e por que não dizer, em toda a América.

Se você ,caro(a) leitor(a), quer medir a extensão desse tipo de agressão, basta imaginar esse fato na sua própria vida. Como seria para você, um dia receber em sua casa uma visita inesperada , de alguém que você nunca viu ,e que chega depreciando sua roupa, sua casa, sua família, seu modo de viver, sua cultura, sua religião, enfim, todos os seu valores? E, no nosso caso, teve mais um agravante. Na época da chegada dos portugueses, ao nos considerar como civilizações atrasadas e primitivas, comparadas à animais bestiais, construiu-se uma discussão, se nós tínhamos alma ou não. Ou seja, era preciso descobrir se, antes de tudo, éramos mesmo humanos, para a partir daí, pensar e decidir “se valia a pena nos salvar”.

Feito essa evocação, convém então agora, como manda a etiqueta, sentarmos para iniciar a conversa. E, qual é a conversa? Bem, como os principais ramos das religiões hoje presentes do mundo (hinduísmo,budismo, cristianismo e islamismo) são religiões , cujos dogmas estão aí, documentadas, e sendo assim , de domínio público, falemos das religiões dos povos indígenas. E, a primeira pergunta a ser respondida é: e os povos indígenas têm religião?
Minha aposta é que muita gente nunca se perguntou sobre isso e, se nunca se perguntou, também nunca se interessou em buscar a resposta. Se isso for verdade, é um claro indicativo de que ainda continua valendo a tendência de acreditar que, somente vale aquilo que nasce ,emana e flui “das sociedades civilizadas” , da Europa, dos Estados Unidos. Desse modo, as verdades continuam do lado de lá e, conseqüentemente, os meios e os instrumentos para acessá-las, idem. O que vem dos outros, não tem valor. Mas, à respeito da pergunta formulada, vejamos o que diz um renomado filósofo Frances ,Henri Bergson:

“Houve no passado e há ainda hoje sociedades humanas que não têm ciência, nem arte, nem filosofia. Mas não existe nenhuma sociedade sem religião.” (BERGSON, 1984:105).

E, Mondim, completa:

“Desde a idade paleolítica o homo religiosus está em pé, com os braços levantados. (…) Nas montanhas da Valcamonica vemos esse homem, representado por centenas de exemplares, alçar o olhar, os braços e as mãos. Perscrutando o céu, busca no alto uma ‘realidade absoluta’, ‘um ser supremo’, invisível mas real, simbolizado pela luz do Sol. Essa procura está por toda a parte, no tempo e no espaço, atravessa a humanidade” (MONDIN, 1997:49)

Posso,como índio, afirmar que os povos indígenas têm e sempre tiveram suas próprias religiões. Entendê-las, no entanto, pressupõe conhecer nossas Cosmologias. E só de faz isso através de um diálogo respeitoso, balizado no conceito de alteridade. É possível que,baseado tanto na tradição quanto na compreensão ocidental, as pessoas julgam que as sociedades tidas como tradicionais, não possuem Deus ou deuses,exatamente por que isso não é externado em forma de grandes palácios e catedrais,como hoje se vê. Por outro lado, isso nos leva a crer que seria necessário criar uma separação, uma categoria, um espaço, um altar para se adorar um determinado deus.Se isso não é visível, então não há um deus. Ledo engano. O que na verdade as pessoas leigas na cultura indígena não compreendem, é que, para nós , o sagrado não é algo separado, que fica ali, inerte ,num determinado lugar, esperando que você vá até ele. O sagrado para nós é o universo como um todo, não é dissociado do vento, da montanha, dos pássaros, dos animais, do sol. O sagrado é tudo isso. Por isso, nosso altar diário, é onde pisamos , é onde dormimos, é onde buscamos e produzimos nosso alimento. Por isso, tratamos de cuidar bem das obras do criador. Sabemos que Ele existe e sempre existiu. Qual a nossa maneira de cultuá-lo? Valorizando e respeitando a sua criação. Por isso respeitamos o meio ambiente, por que para nós, o meio ambiente não é algo que é indissociável do homem. Ele é o próprio homem e o homem é a próprio natureza!. Há uma conjugação e uma dependência visceral entre ambos, sem o qual, não há vida.
Vamos aproveitar para discutir uma hipótese: numa trajetória inversa, como seria a sociedade não indígena se adorasse o Deus, como nós adoramos? Será que seria mesmo necessário tudo isso que assistimos todos os dias? Igrejas, igrejas e mais igrejas;dogmas,dogmas e mais dogmas; doutrinas,doutrinas e mais doutrinas.Sacrifícios de vidas humanas com bombas e dinamites;humilhação da mulher por questão religiosa. Enfim, fiquemos apenas nesses exemplos. Quantas vezes me pergunto: por que criar tantos laços, por que complicar tanto ,algo que deveria ser tão simples, tão singelo , tão puro? Precisamos mesmo de tudo isso para adorar a Deus? Será que o céu e o paraíso são espaços que, para se chegar lá, precisa submeter as pessoas uma espécie de “vestibular’?

Simplicidade e respeito deveria ser a marca da nossa relação com o sagrado. Desse modo, a partilha com os povos indígenas deve se dá dentro do princípio da alteridade, do respeito, não da imposição, no desrespeito aos nossos valores sagrados. Então, o que estamos abordando aqui , não é se a religião A ou B é melhor do que outra. Não é isso. Estamos analisando e comentando como se procedeu - e ainda se procede- a relação entre a sociedade não indígena e a nossa, assentada em estratégias profundamente desrespeitosas e criminosas para com os nossos valores sagrados.

No entanto, é oportuno louvarmos a atitude dos que reconhecem publicamente isso, como foi o caso do Papa João Paulo II, que em 2000, por ocasião da marcha dos 500 anos do Brasil, pediu perdão aos índios. Hoje, é possível perceber as diversas pastorais e comunidades eclesiais de base da Igreja Católica trabalhando dentro do conceito de inculturação, que no dizer de Constanzo Donegado:

“é outro lugar de encontro entre cristianismo e religiões tradicionais. Enquanto o diálogo acontece entre as duas religiões que permanecem na sua plena identidade e não há movimento de "conversão" de uma para a outra, a inculturação se dá dentro do próprio cristianismo, que se encarna em uma dada cultura”. (Revista Mundo e Missão).

Para concluir, conclamo as igrejas ao diálogo, de forma aberta,civilizada, respeitosa. O Evangelho há muito já chegou em diversas aldeias no país.É um fato. Alguns dos muitos ensinamentos e preceitos repassados ao longo dos anos foram incorporados nas Cosmologias indígenas. Nada, portanto, diferente de outras sociedades que mantêm laços permanentes com outras culturas.

Atenção e cuidado especial deve ser dado às novas sociedades indígenas que vão surgindo, e que ainda não mantiveram contato com a sociedade envolvente. O cuidado a qual me refiro, é para não repetir os mesmos erros do passado, achando que, por que tais grupos sociais ainda não estão “civilizados” e “evangelizados”, precisam urgentemente serem “salvos”. Não é demais lembrar que, eles são povos e sociedades que têm suas organizações próprias, seus valores, suas culturas e,portanto, suas religiões e seus modos de se relacionar com o sagrado. Lembrem-se disso. Se um dia, quiserem adotar algum rito da religião judaico-cristã, mulçumana, hinduísta, etc,etc., é uma decisão livre e soberana que caberá apenas à eles decidir.Ponto.

• Alfredo Silva Wapixana é líder indígena, Tuxaua da Aldeia de Nova Esperança, diretor técnico do Programa de Desenvolvimento Sustentável de Nova Esperança (PRONESP) e presidente da Federação Indígena Brasileira (FIB).
Contato por e-mail: aswapixana@gmail.com

terça-feira, 13 de dezembro de 2011

BOAS FESTAS A TODOS E A TODAS!!!!

Caríssimos,
Estamos chegando ao fim de mais um ano. Para a FIB, este foi efetivamente o primeiro ano de sua atividade. Muitos desafios e muitos aprendizados também.
Estamos saindo para o nosso recesso de fim de ano e, a partir de fevereiro de 2012, estaremos atualizando as nossas informações.
Em face disso, vimos desejar um feliz Natal e um ano novo repleto de muitas realizações para todos vocês, que nos acompanharam durante esse ano. Ano que vem, sem dúvida, além deste blog, iremos trabalhar e divulgar nossas informações também no nosso site ,que encontra-se em construção.

Com a benção de Deus, a proteção do Espirito Santo e do nosso Salvador Jesus Cristo, desejamos tudo de bom para todos.

Até 2012!!!!!!

segunda-feira, 21 de novembro de 2011

O desenvolvimento sustentável dos povos indígenas: um objetivo possível

Por Alfredo Silva Wapixana

Desde que Cabral aportou sua caravela no litoral brasileiro, em 1500, deu-se a partir daí, o calvário dos povos indígenas que dura até os nossos dias. Vítimas de todas as sortes de violências e de preconceitos, os índios e os negros chegaram a ser considerados como seres sem alma, portanto, livres para serem tratados como animais selvagens. O fato é que, o desdobramento de tudo isso é nefasto para os povos indígenas, visto sob todos os aspectos. Basta comparar os dados oficiais para chegar a uma dura conclusão: os povos indígenas são considerados as populações mais frágeis, ostentando a condição de seguimento mais pobre dentre os pobres do país.
O censo 2000, do IBGE identificou cerca de 734 mil índios no Brasil. Desse total, 350 mil vivendo em áreas urbanas e 384 em áreas rurais. O IBGE concluiu também que 38% da população indígena brasileira tinha um rendimento abaixo de ¼ do salário mínimo, contra 15,5% da população não indígena. Todavia, especialistas e indigenistas tem visões e interpretações diferentes sobre esses dados. Um dos argumentos é a de que a utilização do conceito de pobreza para os povos indígenas não tem uma aplicabilidade eficaz para aferir tal análise, posto que esse conceito nem é percebido e nem utilizado por esses seguimentos.

Discussões à parte, o fato é que as políticas indigenistas adotadas pelo governo sempre foram equivocadas e com isso, contribuíram decisivamente para sedimentar essa realidade. Durante anos, a política governamental sempre se pautou no conceito de integração, segundo o qual, os povos indígenas deveriam abandonar suas culturas para se “civilizarem” e , serem assim, reconhecidos como cidadãos brasileiros. Para isso, o Estado adotou políticas meramente assistencialistas e de cunho tutelar. Somente com a Constituição de 88, esse paradigma foi quebrado. Conforme asseverou Carlos Frederico Marés, é a partir do qual, “os povos indígenas passam realmente a existir como índios”, não mais considerados como uma categoria transitória, mais um jeito de ser, como povos de cultura própria e diferenciadas.

Desse modo, ao se deparar com um contexto jurídico novo, o Estado brasileiro e a própria sociedade que via os índios como categorias inferiores, não conseguem ainda encontrar soluções e caminhos para atender os povos indígenas, consoante essa nova realidade. O Estado brasileiro, apesar de todas as tentativas observadas nos últimos anos, apresenta graves deficiências nessa relação com os povos indígenas, como a falta de pessoal especializado, estrutura condizente com os desafios e políticas que levem em consideração a diversidade cultural e geográfica desses seguimentos populacionais. Um dos aspectos que demonstram isso está relacionado com a questão da segurança alimentar dos povos indígenas.

Um levantamento feito em 1995, pelo Instituto de Estudo Socioeconômico (INESC), intitulado Mapa da Fome dos Povos Indígenas no Brasil , concluiu que nos Estados pesquisados, a situação de insegurança alimentar das populações indígenas era gravíssima, tendo diversos fatores como possíveis causas,aí incluso secas, confinamento em micro territórios, da ausência de condições de plantio, conflitos entre as etnias, conflitos com fazendeiros e posseiros ,além de impactos frente aos projetos do governo. A pesquisa identificou situações tais situações principalmente nos Estados do Nordeste (PE, BA, AL e SE), no Centro Oeste (MT e MS, TO, GO e o DF) no Sul (RS, SC e PR) e no Sudeste (SP, MG, RJ e ES). Também existem situações graves e preocupantes no Norte, região que concentra atualmente a maioria dos povos indígenas (PA e RO). A pesquisa concluiu ainda que da totalidade das Terras Indígenas no Brasil, cerca de 1/3 , cerca de 198 terras, apresentava problemas de insegurança alimentar.

Reverter tais cenários prescinde principalmente de vontade política do governo federal. Uma tarefa, porém, nada fácil visto que o governo é constituído por diversas forças e correntes políticas e ideológicas ,sendo a quase totalidade contrária aos direitos e interesses dos povos indígenas. Talvez, por conta disso, as poucas iniciativas governamentais são ações descoordenadas, com pouca eficácia na ponta e que pouco contribuem para remover estruturas antigas.

Entretanto, apesar de todo esse cenário desfavorável, nas últimas décadas os povos indígenas vêm apresentando resultados impressionantes em termo de capacidade de sobrevivência e aumento de sua população, numa trajetória contrária ao da sociedade envolvente. Depois de serem quase totalmente dizimados, chegando a ter, na década de 80 ,pouco menos de 200 mil pessoas, nas duas últimas décadas, os povos indígenas tiveram uma verdadeira explosão demográfica, apresentando uma taxa de crescimento que variaram de 3 a 5% a.a, ao contrário da sociedade não indígena que em 1970, tinha uma taxa de crescimento na casa de 2,5% passando nas décadas seguintes para 1,7%. Em 2000, o IBGE identificou 745 mil indígenas (0,4% da população nacional) e, mais recentemente, o Censo 2010, constatou um crescimento da população indígena em 11% , saltando para 817 mil indivíduos. Fato como esse mostra que os povos indígenas não podem mais continuar sendo tratados como se não existissem ou como categorias sociais em extinção.


O Brasil precisa reaprender a ter um olhar novo olhar sobre os povos indígenas. Conseqüentemente, as políticas públicas também. A nova relação do Estado Brasileiro teve ter como balizamento institucional, o respeito a alteridade, aos valores sociais, éticos , culturais e econômicos dos povos indígenas. Tendo por base essa premissa, tornar-se-á mais fácil concatenar políticas afirmativas que de fato, contemplem essa diversidade multicultural. Inserir os povos indígenas no processo de desenvolvimento não significa buscar seu enquadramento ao processo produtivo de matriz meramente capitalista , alienado e subordinado as regras de mercado. Tentar avançar nessa direção é repetir erros históricos que só produziram malefícios para os índios.
Importante considerar que os povos indígenas brasileiro estão organizados, com articulações que emergem de suas bases até os cenários nacionais e internacionais. Conseqüentemente, suas aspirações, demandas, formas e modos de fazer e construir seus futuros já estão postos. Para desenvolver políticas, promover ações e concretizá-los não há o que inventar. Basta ouvi-los.

É fundamental que, uma vez dialogando com os povos indígenas, construindo modelos de trabalho, gerando capacidades, que tais iniciativas sejam replicados ou mesmo tornado conhecido aos demais povos, considerando que estes se encontram em fases distintas de contato e de interação com a sociedade envolvente. As redes locais de articulação precisam ser fortalecidas como premissa básica para promover a governança dos processos gerados pelas comunidades. É preciso também investir no fortalecimento dos canais de relacionamento institucional dos povos indígenas com os órgãos e entidades da administração pública, e também com o setor privado e o alinhamento no uso dos benefícios gerados por essa relação para suprir e eliminar as carências das comunidades e melhorar o seu atendimento.

Portanto, o reconhecimento da dívida histórica do país para com seus primeiros habitantes exige uma auto-avaliação que sinalize no futuro, a adoção de posturas políticas diferentes, que respeitem e aceitem os povos indígenas como são , consciente de que, a promoção de seu bem-estar e do seu desenvolvimento passa primeiramente no empoderamento de valores que nunca foram instrumentalizados na relação da sociedade envolvente com os povos indígenas.

É possível fazer isso. Basta querer.

quinta-feira, 17 de novembro de 2011

Presidente da FIB discute ações para Crianças e Adolescentes Indígenas

O presidente da FIB iniciou as discussões que visam criar e propor ações inclusivas para Crianças e Adolescentes Indígenas. Um desses programas, considerada a mais audaciosa-, é a fundação e formação da Orquestra Sinfônica Indígena Brasileira, que será formada em sua grande parte por crianças e adolescentes indígenas.
A questão relacionado a Crianças e Adolescentes Indígenas segundo

o presidente da FIB, Alfredo Silva, é muito grave no país. Diversos povos e aldeias estão perdendo sua juventudade para as drogas.Primeiro as crianças começam consumindo bebidas alcóolicas, depois, entram outras drogas como a maconha, cocaína e crak.A região de Dourados é um exemplo emblemático disso. No entanto, em toda as regiões do país, esse fenômeno também vai se alastrando. Em muitas aldeias , as crianças vêm sendo vítimas de abusos sexuais e os casos acabam não sendo apuradas.
Para o presidente da FIB, é preciso que as instituições que trabalham com a questão indígena passem a ter um olhar mais sensível para essa realidade. Segundo ele, a criação da Orquestra Sinfônica, que terá um caráter nacional, servirá como um instrumento de promover as crianças e adolescentes indígenas, levantando sua auto-estima e procurando assim ,abrir novos caminhos e alternativas de proteção a esse seguimento.

Presidente da FIB reassume o cargo de Tuxaua da Aldeia Nova Esperança, em Roraima

Nó último dia 01 de setembro de 2011, em Assembléia Geral Comunitária, o professor Alfredo Silva,reassumiu o cargo de Tuxaua 9cacique em outras regiões do Brasil) da Comunidade Indígena Nova Esperança. O líder estava afastado da função desde 2007, quando teve que se deslocar para Brasília, para implantar o escritório de representação da associação da comunidade. Desde essa época,o cargo vinha sendo conduzido pelo Wapixana João Silva.
De volta a função , o Tuxaua Alfredo Silva criou novas funções na aldeia , como por exemplo, o Conselho de Mulheres, que passou a ser responsav

el por todas as ações sociais da aldeia e também, o Conselho Comunitário, com a entrada de novos membros. Duas mulheres foram eleitas vice-tuaxauas, a Sra. Maria Janete e a professora Antonina.
A comunidade Indígena Nova Esperança foi fundada em 1996, fica ao norte da Terra Indígena São Marcos, Município de Pacaraima, no Estado de Roraima. Possui hoje uma população de 155 pessoas ligadas a tres povos, Macuxi, Wapixana e Taurepang.
A Comunidade é criadora da Feira de Empreendedores Indígenas de Roraima, evento que passou a ser de caráter estadual esse ano, com a realização de sua segunda edição.

FEDERAÇÃO INDÍGENA BRASILEIRA DEFENDE OS INTERESSES DOS POVOS INDÍGENAS QUE VIVEM EM REGIÕES URBANAS DO PAÍS

A Federação Indígena Brasileira (FIB) vem promovendo articulações em prol dos interesses de milhares de famílias de indígenas que vivem fora dos territórios indígenas. Segundo dados oficiais, essas famílias representam hoje mais de 50% da população indígena brasileira.
No ano 2000, o CENSO do identificou cerca 734 mil índios no Brasil (0,4% da população nacional). Desse total, 350 mil viviam em áreas rurais e 384 mil em áreas urbanas, constituindo, portanto, a maior parcela. Já os primeiros resultados do CENSO 2010, indicam que a população indígena brasileira cresceu 11% na década, indo para 817 mil pessoas. O Amazonas apresentou a maior concentração de população indígena por estado, com 168.680 pessoas ,o equivalente a 4,84% da população amazonense. Já em termos percentuais, o Estado Roraima apresenta a maior média nacional com 11% de sua população identificada como indígenas, o que equivale a 49.637 pessoas.

Embora, o IBGE não tenha ainda os dados consolidados quanto ao número de indígenas que continuam morando dentro e fora das terras indígenas, acredita-se que o fenômeno apresentado no CENSO 2000 tenha se mantido.

Desse modo, embora os dados oficiais mostrem que mais de 50% da população indígena brasileira vivem em regiões urbanas, o governo federal não trabalha com políticas voltadas para esse seguimento. As poucas iniciativas existentes são direcionadas para as pessoas que vivem em terras indígenas. Os demais sofrem o descaso do abandono e da omissão do Estado.

Por conta disso, a Federação Indígena Brasileira assumiu a defesa dos interesses desses seguimentos, pleiteando ações governamentais que atendam essas famílias nas seguintes áreas:
• Direitos Previdenciários (aposentadoria, Seguro acidente, Auxílio maternidade, etc)
• Direitos Trabalhistas
• Programas de Qualificação Profissional
• Programas de Atenção Básica de Saúde
• Programas de Promoção e Valorização da Cultura Indígena
• Ações Educativas de Prevenção para Crianças e Adolescentes Indígenas
• Programas de inclusão digital e Universitária para Estudantes Indígenas
• Programas de Habitação para as famílias Indígenas
• Programas Neo natal e redução de mortalidade materno/Infantil
• Programa de Geração de Emprego e Renda para famílias e profissionais indígenas
• Programa de Inclusão no Desporto
• Programa Bolsa Família com formação de cadastro específico para famílias indígenas.
• Programa de Micro financiamento para famílias indígenas que possuem micro empreendimentos.

A FIB buscará colocar essa pauta nas diversas instancias de discussão , como por exemplo, no Congresso Nacional, através da realização de Audiências Públicas, criação de Comissões Especiais ,etc. Nos diversos ministérios também deve-se trabalhar a construção de políticas e programas ,assim como nas instancias judiciárias do país.
Segundo o presidente da FIB, Alfredo Silva, além dessas ações, a Federação passará a demandar a realização de Encontros, Seminários, Congressos e outros eventos, como a realização de Feiras Nacionais e Estaduais para conscientizar as autoridades a olharem para essa realidade. Segundo ele, em 2012,em Brasília, já irá acontecer um Seminário sobre Trabalho e Geração de Renda , que irá pontuar esse debate e que terá a participação da OIT- Organização Internacional do Trabalho.